Introdução a Microeconomia / Estrutura de Mercados

Introdução a Microeconomia / Estrutura de Mercados

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Aula 19 - 404065- IE. Prof. Eziquiel Guerreiro. Estruturas de Mercados 131

6. ESTRUTURAS BÁSICAS DO MERCADO

Na teoria microeconômica estudamos:

O comportamento do indivíduo que dotado de uma renda e diante do fator objetivo preço* e de fatores subjetivos (hábitos e preferências) e condicionantes psicológicas busca a combinação de bens ou serviços que maximize satisfação, prazer, felicidade, bem-estar (máxima utilidade);

ou lucro zero), onde lucro (L) = RT – CT

A teoria da firma, onde o empresário orientado por determinada tecnologia combina fatores de produção para produzir bens e/ou serviços, que vendidos, busca o equilíbrio na condução do seu negócio (RT = CT) (maximização de lucro

*Preço – denominador comum entre oferta e demanda. Se do lado da oferta o empresário defronta com a escassez de insumos, portanto, suas expectativas são finitas e limitadas; do lado da demanda o consumidor possui ansiedades infinitas e ilimitadas. A determinação de equilíbrio está condicionada à finalidade da empresa e à estrutura mercadológica em que esteja inserida.

6.1 Definição de mercado

Mercado é um conjunto de pontos de contados voluntários entre vendedores e potenciais compradores de um bem ou serviço, que mediante condições contratuais de compra e venda concretizam os negócios. Aspectos implícitos no conceito de mercado:

O contexto comporta qualquer tipo de intercâmbio: trocas diretas (negociações diretas entre os vendedores em qualquer lugar) e trocas indiretas (negociações através de bolsas de mercadorias, bolsas de cereais ou em instituições congêneres). Assim, a definição de mercado é caracterizada pela idéia de espaço econômico, ou seja, não está circunscrita a uma região determinada.

Negociações são voluntárias e o sistema de preços funciona como denominador comum nas trocas.

Desnecessidade da presença explícita das partes envolvidas no processo. Essa possibilidade é possível pelo desenvolvimento de redes internacionais de telecomunicação em tempo real e padronização de produtos (commodities). Assim, os mercados se desenvolvem em termos locais, regionais, nacionais e internacionais.

Diferentes estágios no processo de transação: atacado e varejo.

6.2 Determinantes das estruturas de mercados

São dois os elementos que determinam as estruturas mercadológicas nas quais acontece a atuação da firmas: a quantidade de agentes e a natureza do produto final ou serviço ou do fator de produção.

A quantidade de agentes – mas, principalmente, pela forma de atuação e não pela quantidade dos agentes. O comportamento dos agentes diz respeito à existência ou não de reações entre eles quando as decisões particulares entrarem em cena. Podem surgir duas possibilidades:

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- mercados atomizados, presença de grande quantidade de agentes em que as decisões individuais dos agentes não influenciam a decisões dos demais agentes concorrentes. Os indivíduos atuam como tomadores de preços e, isoladamente, jamais pressionarão o preço que vier a ser ditado pelo mercado. Essa situação ocorre nos mercados concorrenciais.

- mercado não atomizado, onde existem poucos agentes (mercados não concorrenciais) e a decisão de qualquer um deles terá influência sobre as decisões dos demais. Neste mercado aos agentes conseguem, em certas circunstâncias, ditar preços.

A natureza do produto final ou serviço ou do fator de produção – neste caso os mercados também podem ser classificados em duas categorias:

- mercados puros, quando os produtos são homogêneos, portanto, substitutos perfeitos. Exemplos: água mineral sem gás, flores, cimento e commodities.

- mercados imperfeitos, quando os produtos não são homogêneos quanto à origem, condições de comercialização e qualidade, e não são bons substitutos (perfeitos ou homogêneos).

A diferenciação do produto final, serviços ou fator de produção ocorre quando existir manifesta preferência do agente por um deles em detrimento dos demais, embora todos possam, em princípio, atender a mesma finalidade. E, pode se identificada pelos atributos técnicos, físicos e/ou intrínsecos; imagem transmitida e características dos agentes:

atributos técnicos, físicos e/ou intrínsecos: resultam, entre outras especificidades, da forma (configuração), estilos, durabilidade, cor, qualidade, tipo de embalagem, condições de uso, denominações não similares, disponibilidade e tecnologia incorporada;

imagem transmitida: masculinidade, feminilidade, marca (etiqueta), prestígio, posição social (status) exemplificam essa situação;

características dos agentes: compreendem, entre diversas possibilidades, localização geográfica, políticas de transação (preço e crédito), condições de higiene/limpeza do local da negociação, comportamento e/ou modo de atuação de prepostos (até de empregados) como boas maneiras no relacionamento, prestação de assistência técnica pós-vendas e disponibilidade para a realização/execução de serviços.

No Quadro 6.1 está evidenciada uma síntese das estruturas mercadológicas segundo a quantidade dos agentes e a natureza do produto e/ou serviço ou fator de produção. No Quadro 6.2 da pág. 144, temos outra representação das principais características das estruturas básicas de mercado

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Quadro 6.1. Estruturas mercadológicas

Agentes Homogênea Diferenciada

Muitos

(Atomizado) Concorrência Pura ou

Concorrência Perfeita

Concorrência Monopolística ou Concorrência Monopsonística

Poucos (ou alguns) Oligopólio Puro ou

Oligopsônio Puro

Oligopólio Diferenciado ou Oligopsônio Diferenciado

Um Monopólio ou Monopsônio Não aplicável

Nota: concorrência pura ou perfeita é uma estrutura utópica dado que sempre existira algum grau de diferenciação, por isso, se admite a denominação concorrência (quase) pura e concorrência (quase) perfeita.

As estruturas básicas de mercados são divididas em: concorrência perfeita, monopólio, concorrência monopolista, oligopólio, monopsônio e monopólio bilateral. Também, existem modelos marginalistas de oligopólio: modelo de Cournot, modelo de Sweezy; cartel perfeito e modelos de liderança-preço que não serão tratados aqui.

6.3.1 Concorrência perfeita

Como todas as formulações microeconômicas, a estrutura de mercado caracterizada por concorrência perfeita é uma formulação irreal (ou seja, uma concepção ideal), porque os mercados altamente concorrenciais não existem, na realidade são apenas aproximações desse modelo. Não obstante, é útil como aproximação para descrever o funcionamento econômico de muitas realidades complexas.

; Hipóteses do modelo de concorrência perfeita

Dizemos que um mercado apresenta uma estrutura em concorrência perfeita quando:

1) Existe um grande número de produtores (também chamados de vendedores). 2) Cada um dos produtores é pequeno em relação à dimensão do mercado. 3) Os produtos elaborados são homogêneos, sendo substitutos perfeitos entre si.

4) Existe um grande número de compradores, sendo que cada um deles é pequeno em relação à dimensão do mercado.

5) Existe completa informação e conhecimento sobre o preço do produto por parte dos produtores e dos consumidores.

6) Não existe habilidade das firmas para influenciar a procura de mercado através de mecanismos extra-preços, como propaganda, melhoria de qualidade, mecanismos de comercialização, etc.

7) A entrada e a saída de firmas no mercado são livres.

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Figura 6.1. Demanda de concorrência perfeita

Exemplos de mercados com estruturas próximas da concorrência perfeita são os produtores de hortaliças e os vendedores de picolé numa área de lazer.

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