Corredores Ecológicos

Corredores Ecológicos

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• Fortalecimento da identidade cultural e da auto-estima das populações locais e tradicionais;

• Manutenção de espaços naturais e de UCs preservados;

• In c e n t i vo ao comércio de pro d u tos ambientalmente suste n t áve i s, como artesanatos, comidas típicas e produtos orgânicos;

• Sensibilização de visitantes e moradores sobre as questões ambientais;

• Fortalecimento da relação ser humano-natureza.

Estratégia e resultados do Projeto no Espírito Santo

O desenvolvimento da estratégia de ecoturismo e o incremento do uso público em UCs estão sendo desenvolvidos de acordo com a metodologia participativa do Projeto Corredores Ecológicos e com as políticas públicas de turismo do Brasil e do Espírito Santo. Os métodos definidos e utilizados são essencialmente:

• Reuniões e oficinas participativas;

• Palestras e cursos de capacitação e qualificação nas áreas de ecoturismo e turismo sustentável;

• Participação em feiras e eventos relacionados ao tema;

• Realização de fóruns temáticos e de discussão;

• Elaboração de uma política publica de ecoturismo para o estado do Espírito

Dentre os resultados alcançados com a implantação dessa estratégia de turismo sustentável destacam-se os cursos de condutor e monitor em ecoturismo. Desde 2003, foram realizados cinco cursos básicos com duração de 80 horas cada. Fo r a m capacitados cerca de 150 condutores das localidades de Regência (Reserva Biológica de Comboios), Linhares (Floresta Nacional de Goitacazes), Dores do Rio Preto (Parque Nacional do Caparaó), Cachoeiro de Itapemirim (Floresta Nacional de Pacotuba e Reserva Particular do Patrimônio Natural do Cafundó) e Conceição da Barra (Parque Estadual de Itaúnas). Os cursos foram realizados em parceria com o ICE, Ibama, Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (IEMA) e instituições locais, como ProjetoTamar e Consórcio do Caparaó, além das prefeituras dos municípios abrangidos.

Além da questão da condução ecoturística, os cursos trabalharam também a formação de “agentes ambientais”, proporcionando aumento da auto-estima e da cidadania dos participantes, o que gerou desdobramentos como a formação de associações e a formatação de roteiros - caso do grupo de condutores quilombolas de Monte Alegre, inseridos no corredor Burarama-Pacotuba-Cafundó, em Cachoeiro de Itapemirim. Após a realização do curso, os participantes se organizaram e criaram o grupo de ecoturismo e meio ambiente Bicho do Mato. Desde então, o grupo vem desenvolvendo um trabalho de recepção a visitantes, principalmente de escolas e universidades, que inclui condução em trilhas interpretativas e atividades culturais ligadas à sua condição de afrodescendentes, com apresentação de músicas, danças, artesanatos e gastronomia típicas.

Como conseqüência desse processo, vinte integrantes do grupo obtiveram bolsas de estudos para os cursos de turismo, história e pedagogia em uma faculdade particular, o que vem contribuindo cada vez mais para a estruturação, melhoria e diversificação dos serviços e atividades.

Eventos temáticos ecoturísticos apoiados e realizados

A perm a n e n te necessidade de capacitação e qualificação dos ato res envo l v i d o s também vem sendo trabalhada pelo Pro j e to Co rre d o res Ec o l ó gi c o s. Isso ocorre p ri n c i p a l m e n te por meio do incentivo à troca e à difusão de conhecimento e e x p e riências entre os ato res envo l v i d o s. Nesse conte xto, o Pro j e to Co rre d o re s Ecológicos, com o apoio do IEMA, da Secretaria Estadual de Turismo e do ICE, tem feito um papel pioneiro e estratégico na realização de eventos e construção de parcerias na área de ecoturismo, destacando-se a realização e participação nos seguintes eventos:

• I, I e II Fórum Capixaba de Ecoturismo e Turismo Sustentável;

• IWorkshop Capixaba de Ecoturismo e Turismo Sustentável;

• Salão do Ecoturismo e do Turismo de Aventura na Expotur, maior evento de turismo no Espírito Santo;

• Workshop de Licenciamento e Empreendimentos Turísticos;

• Expedições té c n i c o- re c reativas no Ribeirão Fl o resta (Co rredor Burarama-

Pacotuba-Cafundó) e na Pedra da Botelha (Corredor Córrego do Veado);

• Expedição e gravação do documentário “Triz: Pólos de Ecoturismo e Aventura do Brasil”.

Conclusões da experiência no Espírito Santo

A experiência em curso no Espírito Santo, no âmbito do Corredor Central da Mata Atlântica, vem demonstrando que o ecoturismo pode ser uma importante alternativa para enfrentar questões relacionadas à gestão de UCs, à participação social e ao uso sustentável dos recursos naturais e culturais em regiões prioritárias para a conservação. As áreas de corredores ecológicos do estado são hoje uma interessante e viável unidade de planejamento para o desenvolvimento do turismo sustentável, permitindo trabalhar atividades de fiscalização, estruturação e gestão participativa e descentralizada das UCs existentes.

Os diagnósticos part i c i p a t i vos podem ser utilizados como alte rnativa para propiciar mudanças da realidade socioambiental e econômica, pelo seu poder de mobilização e envolvimento dos participantes com as questões apresentadas (Projeto Doces Matas, 2002). Os resultados apresentados nos indicam ser uma metodologia acertada e positiva para construção e promoção do ecoturismo e t i p o l o gias afins, pri n c i p a l m e n te em re giões semelhantes aos corre d o re s ecológicos prioritários e às UCs.

O mais relevante a ser destacado é que os resultados alcançados e as atividades em desenvo l v i m e n to só foram possíveis por causa, pri n c i p a l m e n te, do e nvo l v i m e n to e co- responsabilidade de alguns ato res comunitári o s. Essa participação, somada ao conhecimento técnico adequado e a um pequeno investimento financeiro e estrutural, têm garantido minimamente o espaço político-institucional para a implementação e o desenvolvimento do conjunto de ações inerentes a esse Projeto.

1 Tu ri s m ó l o g o, técnico em Meio Ambiente do In s t i t u to Estadual de Me i o

A m b i e n te e Recursos Hí d ricos / Pro j e to Co rre d o res Ec o l ó gi c o s. Co n t a to :

aventur@uol.com.br.

2 Jornalista, técnica em Meio Ambiente do Instituto Estadual de Meio Ambiente e

Recursos Hí d ricos / Pro j e to Co rre d o res Ec o l ó gi c o s. Co n t a to : enegro@iema.es.gov.br.

Referências Bibliográficas: MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE. Gestão participativa do SNUC. Brasília: MMA, 2004.

MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE. Sistema Nacional de Unidades de Conservação. Brasília: MMA, 2004.

MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE; PPG7. Projeto Corredores Ecológicos. Brasília: MMA; PPG7, 2002.

MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE. Dire t ri zes para visitação em unidades de conservação. Brasília: MMA, 2006.

IEF; IBAMA. Diagnóstico Participativo de Unidades de Conservação. Projeto Doces Matas. Belo Horizonte: GTZ, 2002.

GTZ. Brincando e Aprendendo com a Mata. Salvador: GTZ, 2000.

GTZ. Manual de Interpretação Ambiental. Projeto Doces Matas. Belo Horizonte: GTZ, 2001.

O Sistema Georreferenciado de Gestão Ambiental da Bahia - Geobahia

Margareth P. Maia 1

Joseval Souza de Almeida 2

Fábio da Silva Costa 3

Getúlio Beanes da S. Santos Júnior 4

Antônio Sérgio Mendes 5

Rosa Silvia C. K. Rodrigues 6

O Sistema Ge o r re fe renciado de Gestão Am b i e ntal da Bahia - Ge o b a h i a

Pa rceria firmada em 2005 re s u l tou na criação de um grande banco de dados georreferenciados que sistematiza e integra informações ambientais e socioeconômicas do território baiano, possibilitando análises que embasam a gestão ambiental e a tomada de decisão pelo poder público.

A diversidade de biomas e ecossistemas existentes na Bahia e a necessidade de promover o crescimento econômico e social em consonância com a conservação ambiental demandam o uso de novos instrumentos e alte rnativas te c n o l ó gi c a s. Considerando que as necessidades de ações de planejamento e controle ambiental pelos agentes públicos são cre s c e n te s, a aplicação de geote c n o l o gias em meio ambiente surge como um suporte à tomada de decisão.

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